
Teve lugar esta tarde, na Câmara de Comércio de Moçambique, a cerimónia de apresentação do livro »Memórias em Voo Rasante» de Jacinto Veloso, na presença do autor, e ainda de Patrício José, vice-reitor do Instituto Superior de Relações Internacionais (ISRI), de António Gaspar, director-adjunto do Centro de Estudos Estratégicos Internacionais (CEEI), e de muitos convidados e amigos que se quiseram associar ao autor neste momento.
A cerimónia constou do momento de apresentação do livro, de uma sessão de autógrafos e de um espaço de convívio que incluiu um cocktail.
No começo da cerimónia, António Gaspar e Patrício José dirigiram-se aos presentes. Por fim, Jacinto Veloso, numa breve intervenção, sublinhou:
Quero em primeiro lugar agradecer a vossa presença neste acto de lançamento de um livro que nunca pensei que seria capaz de produzir. Muitas e variadas ajudas me permitiram fazê-lo. Muito obrigado.
Um agradecimento muito particular vai para o Reitor do ISRI (Jamisse Wilson Taímo), para o Vice-Reitos Patrício José e para o Director-Adjunto do CEEI. António Gaspar, pela “coragem” que tiveram de embarcar comigo num aventuroso “voo rasante”, na minha aeronave de apenas dois lugares e um só motor. A todos que me ajudaram na elaboração e publicação destas memórias, muito obrigado.
Como poderão constatar não se trata de uma investigação histórica, nem tampouco de uma análise académica. O meu objectivo é divulgar situações que me parecem interessantes, episódios curiosos e momentos marcantes da minha vida nestas últimas quatro décadas. Tudo em “voo rasante”, com altos e baixos, com avanços e recuos no tempo, sem grande preocupação de datas e sem identificar com precisão a maior parte dos intervenientes que em alta velocidade desfilam nos dez capítulos que compõem o livro.
Embora auto-biográfico, tudo se passa no teatro de operações da confrontação Leste-Oeste, uma “guerra-fria” que trouxe ao Terceiro Mundo mais problemas do que vantagens, penso eu. Neste contexto, concentrei-me no sub-teatro da África Austral, e de Moçambique em particular.
Através destes escritos, pretendo realçar a prioridade que sempre devemos dar à defesa do interesse nacional, dentro de uma estratégia com objectivos de longo prazo claramente definidos. Admito termos, no processo, cometido alguns erros, erros que cosidero inevitáveis, quase obrigatórios. Eles dependeram mais da conjuntura política social e económica, do que das pessoas que no momento dirigiam ou governavam. Quem lá estivesse, ainda que no momento fosse o homem certo no lugar certo, seria induzido a cometer este ou aquele inevitável erro. É minha convicção que o essencial das falhas cometidas acabaram por ser corrigidas no tempo ou estão para ser corrigidas.
Irão notar, em “voo rasante”, que por vezes me refiro no plural (“nós” em vez de “eu”) em passagem biográfica bem determinada; a explicação é que nesse momento me sinto associado a meus colegas, a meus camaradas e amigos, seja a nível partidário, do governo ou das forças de defesa e segurança; a vida individual torna-se indissociável da acção colectiva que vimemos nestes últimos quarenta anos, nas alegrias e nas tristezas, solidariamente construindo a Nação Moçambicana, fortalecendo sempre a unidade nacional.
Foi pensando nos jovens de hoje (e de amanhã) que escrevi estas notas, tentando descrever uma época heróica e empolgante, cheia de desafios e problemas a resolver em tempo muito curto. Por isto vivemos a alta velocidade.
Este “voo rasante” vai levantar várias questões, algumas polémicas, outras contestáveis, que certamente vão originar debate, vão agitar académicos e investigadores. É também um objectivo a atingir.
Esta é a minha intenção: dar informações, emitir opiniões e suscitar o debate, a investigação e a crítica construtiva se possível.
«Memórias em Voo Rasante» é tudo isto e não pretende ser mais do isto. Espero que seja útil.